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CEA – Collie Eye Anomally

O CEA, abreviação do termo Collie Eye Anomaly em inglês, é uma doença genética recessiva que causa o desenvolvimento anormal da Coroide, um tecido localizado abaixo da retina dos olhos. Esta doença é mais frequente em cães da raça Collie porém também afeta Border Collies, Pastores Australianos, Pastores de Shetland e Lancashire Heelers.

A doença se manifesta entre as primeiras 5 a 8 semanas de vida, que é quando termina a formação do globo ocular. Apesar de não haver tratamento ou cura, ela não é uma doença degenerativa: um animal não irá piorar da doença com o tempo nem apresentar novos sintomas devido a ela. Além disso a maioria dos animais afetados não irá apresentar sintomas durante a vida devido à doença se manifestar de forma leve.

Gravidade da Doença

Forma Leve

A forma leve da doença é a mais comum entre os cães afetados, representando em torno de 75% do total, e pode ser confirmada por oftalmologistas quando o animal tem de 5 a 8 semanas de idade. Nesses casos, apesar de haver a hipoplasia da coroide, os animais afetados não irão apresentar nenhuma perda de visão – apesar de ainda poderem ter filhotes que venham a ser severamente afetados.

Forma Severa

Já na forma severa da doença há a presença de Colobomas (“rasgos” na retina) e/ou descolamento da retina e pode haver a perda parcial ou mesmo total da visão no(s) olho(s) afetado(s) em raros casos, normalmente decorrente de complicações de outras doenças que podem aparecer devido ao coloboma.

A presença do coloboma é facilmente percebida devido à presença de “rasgos” na retina, semelhantes à ilustração abaixo:
CEA-COLOBOMA

Herença Genética

Por ser uma doença recessiva ela apenas irá afetar filhotes de animais cujos dois pais sejam afetados ou portadores do gene recessivo. Um filhote com um dos pais normais sempre será livre ou portador (sem desenvolvimento da doença) de CEA. Um filhote de dois pais portadores poderá ser ou não afetado ou portador.

Isso devido a quando um filhote é gerado ele recebe um gene de cada um de seus pais. Caso ele receba duas cópias do gene normais é classificado como NORMAL (WT/WT) e nunca produzirá descendentes afetados.

Se um cão tem um gene normal e um gene recessivo (defeituoso), é classificado como CARRIER (WT/wt), e esse individuo NUNCA desenvolverá a doença. Ainda assim ele pode passar ou não esse gene defeituoso para seus descendentes e vir a ter filhotes afetados no futuro.

Se o cão tiver duas cópias do gene recessivo (defeituoso) é classificado como AFETADO (wt/wt) e irá desenvolver a doença. Quando se reproduzir sempre irá passar para seus descendentes um gene defeituoso, podendo ter filhotes afetados ou carriers.

Abaixo segue uma tabela que ajuda a entender os possíveis acasalamentos:
Tabela de cruzamento - CEA

Onde e como realizo o exame?

Infelizmente esse exame ainda não é realizado por laboratórios aqui no Brasil, sendo necessário o envio para laboratórios estrangeiros. Utilizamos e recomendamos dois ótimos laboratórios que recebem amostras brasileiras para testes: Optigen  e Paw Prints Genetics.

Ambos recebem amostras de DNA via sangue ou saliva coletada em swabs. O envio de amostras de DNA via coleta de sangue é burocrático devido aos procedimentos alfandegários necessários e sensível devido à possibilidade de degradação do material e por esse motivo preferimos enviar amostras de DNA coletadas na saliva em swabs de algodão.

A coleta da saliva é muito simples: você precisa apenas deixar seu animal isolado de outros animais e sem contato com objetos que tenham contato com outros animais por um período de 2 horas. Após esse tempo esfregue bem os swabs sob a bochecha, debaixo da lingua e céu da boca, utilizando luvas para evitar contaminação do material. Recomendo que envie sempre no mínimo 6 swabs por cão para aumentar as chances da análise ser realizada com sucesso.

Os swabs podem ser obtidos em lojas como http://www.cirurgicaestilo.com.br

O envio é um pouco burocrático, e são necessários os seguintes passos:

  1. Entrar em contato com o ministério da agricultura por telefone
  2. Solicitar os formulários de autorização de envio de amostras biológicas para os EUA. O atendente então irá te passar o e-mail de um fiscal que irá realizar o atendimento
  3. Envie um e-mail para o fiscal com a solicitação e ele irá encaminhar os os formulários com as instruções.
  4. Obtenha uma declaração com seu médico veterinário conforme instruções do fiscal.
  5. Imprima os formulários preenchidos e assine onde necessário.
  6. Digitalize os formulários impressos e a declaração de seu médico veterinário. Grave todos os documentos em um único PDF.
  7. Vá até o setor de protocolo do Ministério da Agricultura e dê entrada no pedido. Não se esqueça de levar os documentos impressos e digitalizados. Leve os documentos digitalizados em um pendrive contendo apenas os documentos.

O prazo do ministério é de 3 dias úteis para liberar a autorização. Após a autorização emitida você deve entrar em contato com a Fedex (ou transportadora de sua escolha) e pedir os formulários necessários para envio de amostras biológicas para os EUA. Eles irão enviar os formulários necessários e instruções de preenchimento.

Com toda a documentação em mãos é só agendar a coleta do material e aguardar a sua chegada ao destino.

 


Fontes:

Optigen (https://www.optigen.com/opt9_test_cea_ch.html)
Linkage mapping of the primary disease locus for collie eye anomaly (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0888754303000788)
Collie Health (http://www.colliehealth.org/explanationofeyedisease.pdf)

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